domingo, 31 de agosto de 2008

Antes do 'glamour'



houve estudos, pra ‘vender o peixe’, reuniões estafantes,
momentos de entrega total pra criar, houve esquizofrenia, ‘latidos agudos’,
zonzeiras, fome, sede, teve momentos de segurar muito o xixi...
houve zoeira, risos absurdos e lágrimas escondidas
e o ator AINDA ouve quando está indo pros ensaios, ‘bom divertimento’, até mesmo dos ‘cultos’
ensaiar uma peça, requer preparo mental, intelectual e físico
o ator se diverte porque faz com o máximo de prazer, é orgástico o palco
é delicioso? muito!!!
mas 'glamour', 'glamour' mesmo...
só na hora dos aplausos... é onde o ator se permite ‘derreter’ e apreciar seu público
é onde o ator sente dentro do peito a felicidade de ainda nessa Terra, fazer o teatro vivo
sem ‘cortes técnicos’ ...
isso é teatro... isso é amor doado e escancarado...

by Solange Mazzeto

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Dias de voar

quantos segredos esparramo
a relva me banha no orvalho

suaves os pés bailam
um misto de alegria nos lábios
mistério nos cílios

fecho as pálpebras
bato
as asas...

texto by Solange Mazzeto

sábado, 23 de agosto de 2008

O meu amor, o Palco


amo o cheiro que o palco tem... quando chego, peço permissão para entrar e faço o sinal da cruz, colocando os dedos no tablado, é meu sacerdócio , creio que ator que ama o que faz, é sacerdote, pois não é um ofício simples, temos que abdicar de nós mesmos pra 'ser' [a personagem], não importa quantos erros ela tenha de personalidade, ela é nossa persona e nossa responsabilidade enquanto estivermos com ela no palco, depois a deixamos e vamos pra casa, quando voltamos, ela está a nossa espera, querendo-nos... é nossa 'criança'
texto by Solange Mazzeto
imagem by Márcia Santos

domingo, 17 de agosto de 2008

Ervas frescas










adoro cheirá-las
uma menta pro chá, o alecrim pra abençoar
plantas são estrelas na terra, morangos na cidade grande, colhê-los, levar a boca e saborear...
paixão, tenho paixão por ervas frescas, inebria o paladar, preparar uma maminha com um bouquet de ervas frescas não tem nada igual, e acompanhada de umas batatas coradas, hum... aumenta o paladar...
e marinar uns tomates com manjericão roxo e tomilho e uma bela folha de louro? delícia das delícias
e além do mais, colocando ervas frescas no alimento, você está ingerindo saúde, por exemplo, o tomilho inibe a gordura da carne, o louro auxilia na digestão, facilita pra caramba, se você se excede na comilança, tome um chá de folha de louro, não forte, chás não podem ser fortes, chá é quem nem carinho, tem que ser levezinho, e sem açúcar pro efeito das ervas serem mais aproveitados
Bom, eu tenho paixão por coisas assim, eu sinto necessidade de me aproximar da terra, com ou sem espaço, recomendo o plantio de ervas, comece com a cebolinha, aquela mesmo que você compra na feira, ela vem com raiz, plante num vasinho, coloque próxima a sua janela e veja a maravilha que é o primeiro broto, lembra quando no colégio colocávamos o feijão pra brotar? num chumaço de algodão? que sensação boa de plenitude sentíamos? é daí... pra mais, o cultivo de ervas frescas...
ah e uma dica, se fizer uma horta, coloque entre as mudas, cravos, pois as pragas irão para eles e não atacarão suas ervas, será por isso que se chama cravo-de-defunto?







by Solange Mazzeto [imagem e texto]

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Disco de vinil


há de ter espaço pra eles
os discos antigos, antiguidade na parede
um meio do ‘antes’ pro agora
um pedaço de vinil, um plástico que deforma
como a vida enruga, faz rusgas
pedaços do tempo num redondo preto com um centro estreito
esparramo todos no meu leito
gozo momentos de solidão com vozes do além
que vem em goles frescos, de instantes de dois corpos
luto pela saúde que me foge
a música me ouve, ouço a música que me envolve
engole
abro as pernas, sonho
estico a fala
a língua ronda...
testemunhas de um fato, os olhos fervem e se fecham... na cisma do sonho que fecha a ferida
ainda...
... ainda tem o rosa, ainda tem o tênis all star
ainda tem o brilho do olhar, no olhar... ainda tem disco de vinil a tocar, trilhar...
ainda...


texto by Solange Mazzeto

desconheço a autoria da imagem

O espaço dos braços




Há dias nebulosos, a vida rema mansa, o agasalho não esquenta, a torta sobre a mesa esfria a cabeça, na garganta um nó desmedido, rasga a dor em dois, em mil, o espinho enrosca e é só tristeza... Do que foi, do que não foi, do que virá, do que terá...
Todo dia é desafio. Pro que vem pro que provem.
Atitudes fundamentais, tomar um porre, argumentar, esvaziar a cabeça, sentir-se um balão rodando, rodando...
Um dia qualquer, numa praça qualquer, um tiro, um desaforo, uma mão... A boca que pronuncia, anuncia, pronuncia correta, a mão que vem a boca, correta...
Dias de sol sempre existirão em nós, mesmo que ponhamos óculos escuros permanentes...
O sol penetra, esquenta, dá vida, faz a flor mover no espaço, o espaço dos braços agiganta o espaço da língua, espanta o espaço no coração, inebria a voz que balbucia o novo, esvoaça como brisa leve e varre a agonia, que berrante jorra a cabeleira na clareira e bóia...


texto by Solange Mazzeto
desconheço a autoria da imagem

O sim ... o não

o sim e o não
afirmação e negação
certeza obsoleta
borboletas todas na mesa
oblíquos olhos
verde esperança
barcos a vela
Veneza
máscaras faciais
banais
friccionais
tudo é desejo na roda da saia
no sapato escovado
no gel da cabeça
toda certeza é negada, abalada
quando a fita da vida se esvai
o sangue jorra impiedoso
o prato ainda na mesa, a colher no espaço
bulas, remédios, distâncias...
um espaço na sobrancelha
criança
e tudo se refaz
a roda gigante gira
a salada volta a mesa
o colo conforta o corpo
e a vida reluz em dobro


exto by Solange Mazzeto

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Mistura

misturei-me em meio ermos
sentei-me na vastidão do mundo
busquei-te e o trouxe pra luz
que advinha da lua creme

teus gestos fez-me carinho
tua voz enlouqueceu minha paz
de teu corpo extrai o perfume
que a vida não prostitui

bufei e chorei teu luto
no pano que a vida me deu
em chitas vermelhas curvei a fronte
me expus...

agora sou passarinho contente
feliz com o ato da asa
que voa com a liberdade
sem mácula, sem nome... sem retrato

by Sole Mazzeto

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Muito simples




Acordar e sair da cama sem ajuda, levantar as pernas, correr pro banheiro fazer xixi, lavar o rosto com água fresca e limpa, sussurrar um “oi” pra imagem [você] no espelho, escovar bem os dentes que estavam dormindo, massagear a gengiva com os dedos...
Dizer ‘que dia feliz’, abrir os braços pro sol, sorrir mesmo que seja na marra que aí desata o nó e sai a amargura, a tristeza de ‘mais um dia’...
Agradecer por respirar, sem a ajuda de aparelhos, sentir o pulmão pulsar, o sangue brilhar.
Sentir o cheiro do café, do pão na chapa, da manteiga... o barulhinho da colher na xícara, o existir em si
Muito simples. Coisas corriqueiras.
Calçar um agasalho que estava cheiroso no armário, que você ou alguém lavou e guardou...
Sentir os pés nos calçados, o deslizar das meias...
Caminhar por conta própria, sair na rua, ver aquela árvore viçosa, a outra mais raquítica, ver o colorido das flores [a gente esquece de olhar]...
Perceber que você está vivo e que ainda vale a pena um sorriso!



texto by Solange Mazzeto

desconheço a autoria da imagem

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Do alto do nada



dias desses andei buscando o nada
o achei simples e calmo
qual um regato de Renoir

olhei ao céu e deslumbrada
com o sol que alto ardia
vi Monet acenando violetas flores

andei vagarosamente
sentei-me num banco feito dos troncos secos de uma mãe – árvore
aprumei-me e olhando a esquerda um lindo girassol de Van Gogh me sorria
um
.
.
.
sim
texto by Solange Mazzeto
imagem: Monet

domingo, 10 de agosto de 2008

Meu pai




vagueia coração
vagueia
mete a mão no espinho
tateia as farpas
escuta o sino
o que lhe diz?
pai? diz pai?
balbucio o nome dele
o sangue escoa dos olhos meus
lateja uma lágrima
que
ainda quente... rola pela face da lembrança
dorme coração ... não se chateie
ele ainda vive, ali
naquela estrela...
vê?
...


escrita by Solange Mazzeto
imagem meu pai

sábado, 9 de agosto de 2008

INFINITO



num certo momento ela se deparou com performances jamais sonhadas, mas advinha do requinte que tem no coração
um certo modo de se portar, um giro central, um banir de estampas gradativas
um certo ar de conquista, um ar velado de leveza
um riso estranho, cismado, com intenção de seduzir
de oferecer agrado...
num certo instante, ela se deparou com um mundo que brilha a paz, um portão alto, mas fácil de ser escalado, a sutileza tornou-se alvo certo para ela
rebordas opacas guardadas a distraíram e ela chamou a guardiã de manto dourado, pele alva e mãos de santa...
das flores que a natureza reservou para esse dia, ela fez uma longa saia, onde se ria e ousada desfilava com fitas esparramadas...
ao cabelo adornou com heras frescas, nos lábios o tom da cereja
nos lóbulos da orelha um punhado de estrelas e no colo macio, margaridas, todas belas... e frescas...


by Sole Mazzeto
imagem by Renoir

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Alguma coisa acontece



acontece no coração
no ancião
no pão que vai a boca
numa bebida no botequim
a tal da saudade
de um beijo de boca, de língua
de uma mão que sabe da outra mão
de uma partida de dominó
da salada que a mãe fazia, do doce de abóbora...
acontece a saudade, o aperto no meio do peito
quase uma falta de ar...
um grito esmigalhado
um som inaudível, audível no chão da sala, na viola
acontece, não tem jeito
vez ou outra a saudade bate na portinhola do coração
e entra...


texto by Solange Mazzeto
desconheço a autoria da imagem

Cabelo




mulher e cabelo, corta ou não?
enrola? alisa?
faz o que?
pinta?
deixa o branco agir e ‘se achar’ o centro das atenções?
faço mechas? luzes? pinto de vermelho, me deixo ficar exoticamente ruiva?
fico morena, forever? pinto a raiz morena a cada 7 dias?
endoido? mais?!
[gargalho muito, melhor remédio ainda é sorrir]
então que fiz, aloirei o pensamento, blonde, blonde, blonde...
tem gente que não gostou, se vire, se vire, se vire...
... ou vire-se e se veja...
imagem e texto by Solange Mazzeto

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Contemplando



andei observando assim meio sem querer, o povo mastigando
se anda aqui e acolá tem gente com alguma coisa na boca, uma bala, um biscoito, um sorvete...
um lanchinho, um cachorro quente...
a parte de alimentação de um shopping, inunda-se de gente, das mais variadas formas e profissões, aqui vê-se muito engravatados, comendo salada, camarão, tutu mineiro...
no campo, há de ter sempre um cara com um capim na boca, mastigando um pedaço de fumo de rolo, chupando uma cana que acabou de cortar
vi esses dias também e encantada fiquei, com uma criancinha de seus dois anos, comendo variados legumes, milho, xuxu, brócolis, e adorando cada uma deles, mastigava satisfeita com seus pequenos dentes
no cinema um croc, croc, espantoso de pipocas, o barulho assustador do saco de pipocas, o estalido da boca, chupando o sal do dedos
no teatro, o silêncio perdura, não se pode comer lá dentro, ufa!!!
e então contemplando tudo isso, pensei como é importante o gosto que cada boca tem, não estou dizendo no sentido de beijar, embora é bom pra danar, mas no sentido de paladar, de apuro no gosto que cada língua tem, pro salgado ou pro doce, conheço gente que não suporta doce, outros o ‘sensor’ de amargo é inabitável e inenarrável...
gosto de jiló, desde menina, pequenina minha mãe conta que eu contava um ano e meio, pela manhã eu ia no jardim da vizinha e pegando o jiló, comia com um gosto tão bom na boquinha que o povo se ria...
paladar... de cada gosto... é de cada um mesmo, de momentos, de [di] sabores, de rompantes...
e eu... contemplo...



texto by Solange Mazzeto

desconheço a autoria da imagem

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Questão

era uma questão de tempo, de charme, de oportunidade
um estado febril de paixão, de náusea, manuseio, instabilidade,que pode levar a estabilidade
pra cada um meio e uma verdade, uma maneira de encarar a cara no espelho de mil faces, de ter dom de usar o que sabe e o que não sabe
atitudes passionais, sonhos demasiados na adrenalina, a cabeça cheia de éter, Arizona em cima de um cavalo
a mente divaga, espaça, recebe, percebe, escapa...
o ar chega quente, o inalar que agüente
o volume no cérebro vazou, o líquido da face escorreu e acho que nessa ninguém venceu...


texto by Solange Mazzeto

Sobre a beleza

"Uma coisa bela nunca causa tanta dor quanto quando não se pode ouvi-la e vê-la."

Michelangelo

domingo, 3 de agosto de 2008

Em seda




os pés sentem o espaço e voam...
livre
qual passarinho que sai do ninho
fresca, qual chuva de verão
escrita by Solange Mazzeto
desconheço a autoria da imagem

Voando




pela liberdade de livres vôos
sublimo o que chamo de doçura
um enroscar de dedos nos dedos, uma carícia pra inovar o cerebelo
uma campainha pra ligar...
voando fico a te lembrar
os cachos, os lábios, o encaixe...
vida breve, vida breve, vem agora e não me leve... pro altar


texto by Solange Mazzeto
desconheço a autoria da imagem

sábado, 2 de agosto de 2008

Giacomo Leopardi

Os melhores momentos do amor são aqueles de uma serena e doce melancolia, em que choras sem saber porquê; e quase aceitas tranquilamente uma desventura que não conheces."




Giacomo Leopardi 1798-1837

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Doce





Doce... doce, como é doce um você e um eu

Ele não poderia



é... ele não poderia amar alguém tão
“máximus”
que oferecesse mais do que a podridão que ele acostumou viver
ele não poderia ficar com uma pessoa que o fizesse sentir paz
que o deixasse são e bêbado no mesmo instante
ele não poderia suportar a luz que vinha dela
suportar toda ternura, ser todo dela
ele precisa galgar bocetas
sussurrar em meio a tetas
buscar ser o ‘tal’
pois sabe que não é...


by Solange Mazzeto
foto by Marília Campos

A mesma mão que abençoa... amaldiçoa



ontem te amaldiçoei, não quis pensar em religião, só pensei no que passei em tua mão
imagina que eu quis voltar pro casulo, já sendo borboleta morta!!!

ontem, eu regurgitei teus dedos
me apalpei como dantes
percebi meus seios mais vibrantes

ontem eu renasci porque
sou uma pessoa impossível no mundo

ontem percebi nitidamente que não sou como você
e nem quero ser [m a i s ]

hoje é outra realidade
e minhas asas me sacodem
ornamentam minha mão
e me abençôo
desconheço a autoria da imagem
texto by Solange Mazzeto
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