quinta-feira, 26 de novembro de 2009

O Olhar

Quem vê, vê o que vê, enxerga o lado esquerdo ou o direito, vê o tempo arredondar ou enfeitiçar, sente arrepios ou a libertinagem chegando de mansinho, querendo navegar.
O olho qual câmera anônima registra tudo, guarda e depois na cabana do sonho, se põe a recordar.
E na memória ali... a fotografia da mente vira semente e quer ir logo brotar.
O olhar tem quase cheiro que atiça o ronronar, qual gata ou gato faz o peito brilhar.
Acende fagulhas, desmemoria o ruim, o olho atravessa milhas só pra encontrar um lago sereno com bolhas de sabão colorindo o azul do mar.

by Solange Mazzeto

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

A visceral vontade

goles de saliva
produzem um [d] efeito
devastador


by Solange Mazzeto

sábado, 14 de novembro de 2009

De Mário Quintana



Os antigos retratos de parede
Não conseguem ficar longo tempo abstratos.
Às vezes os seus olhos te fixam, obstinados
Porque eles nunca se desumanizaram de todo.
Jamais te voltas para trás de repente.
Não, não olhes agora!
O remédio é cantares cantigas loucas e sem fim...
Sem fim e sem sentido.
Dessas que a gente inventava para enganar a
Solidão dos caminhos sem lua.




(do livro "Esconderijos do Tempo -
de Mário Quintana)

imagem by Solange Mazzeto

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Aceito

aceito o vento
que entre as entranhas
seca a lágrima do desejo

aceito dividir o tempo
em dois mil andares
pra chegar [...]

aceito tua palavra
como bálsamo
onde [te] lambo

te aceito
como é
porque?
te amo


texto by Solange Mazzeto

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Alta Voltagem



me olha e me
retorna

rodeia [em mim]
o macho
que existe em
você

gosto de
lagartear
no seu
ombro

gosto de me
esparramar
lentamente em
você

pensa em
mim?
agora...

diz que sim
sei que sim

buracos negros
são só
buracos negros

que não se
aprumam
com mãos no
ventre
pra você


texto by Solange Mazzeto


DESCONHEÇO A AUTORIA DA IMAGEM

domingo, 8 de novembro de 2009

Quase Natal [de novo]





Quase Natal [de novo]

Parece brincadeira, o tempo anda correndo veloz que nem foguete indo pra lua. Dá susto, juro que me dá susto. Não sou tão ‘antiga’ e nem tão ‘menininha’, mas lembro que meus Natais demoravam a chegar, esperava ansiosamente o presente de Natal, onde a Empresa Estrela lançava uma boneca ao ano, e onde o gibi do Tio Patinhas era grandão e eu ficava horas lendo e relendo.

Naquele tempo Panetone era feito uma vez ao ano, ou seja, no Natal e era tão mais gostoso do que hoje, agora você vai às padarias e o ano todo tem panetones...

Está tudo tão modificado, que sinto algo estranho dentro de mim, parece que a magia natalina se mudou pra muito longe, longe demais, faz tempo que as pessoas andam virando ‘plástico’ e plástico ‘jogado’ na natureza causa destruição.

Acho que ainda temos tempo de revertermos isso, sentir de novo a terra nos pés, lembrar que somos natureza, que somos ‘bichos’.

Sabe, sinto algo parecido com medo quando percebo que falta ‘cheirar’ as pessoas, sabe que nem bicho que cheira o outro? Que sente o outro?

Ainda bem que eu tenho ‘esse bicho’ latente em mim, que meu instinto animal ainda prevalece, [embora esteja escrevendo tudo isso pra me fazer lembrar...]

Gosto da minha identidade ‘in natura’, ainda gosto de sair na chuva e molhar o corpo, ainda sinto prazer nas pequenas demonstrações que a vida me oferece.

Arre gente, que nostalgia, o Natal está de novo batendo na janelinha, fazendo sinos tocar, cantando uma musiqueta [quase ao som da lambreta, tô antiga!] querendo nos acordar!


by Solange Mazzeto
imagens: google

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Tua alma é bela

o luto me esconde o sorriso
um negrume disse...
coisas no ouvido

amordaçaram minha boca

ouvi sinos tocando
será imaginação?

me disseram: tua alma é bela


mas me sinto fera
quase estou leoa no cio
querendo matar o prazer que sinto


by Solange Mazzeto

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Tem dor



tem dor que dói tanto
que a gente se sente como cortada em fiapos
se sente um frangalho humano
perdido
com a ponta do nariz vermelha

a dor incomoda e parece coçar

e a dor queima e fica preta
vira cinza
vira nada


texto e imagem by Solange Mazzeto
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