DESENHO
desenho um sorriso no meu rosto
e passo adiante o lápis...
tropeço e rabisco uma emoção rasa
que cheira licor [dos deuses]
da pena que sinto do meu coração
desenho uma lágrima
ela desce a escada
e desemboca
no fundo de minha alma
tenho uma esperança que canta toda manhã
faz festa, coisa de pirralha, coisa de criança
assim, desenho um traço que vai do seu pescoço ao meu
em espiral, rabisco no seu queixo um beijo
em sua fronte um mel
na língua que ainda teima em te querer
sinto o fel
mas isso eu apago, pego a borracha
e desenho em cima da sua marca
um deus...
texto by Solange Mazzeto
segunda-feira, 21 de julho de 2008
domingo, 20 de julho de 2008
Desenho
desenho um sorriso no meu rosto
e passo adiante o lápis...
tropeço e rabisco uma emoção rasa
que cheira licor [dos deuses]
da pena que sinto do meu coração
desenho uma lágrima
ela desce a escada
e desemboca
no fundo de minha alma
tem uma esperança que canta toda manhã
faz festa, coisa de pirralha, coisa de criança
assim, desenho um traço que vai do seu pescoço ao meu
em espiral, rabisco no seu queixo um beijo
e um desejo
em sua fronte um mel
na língua que ainda teima em te querer
sinto o fel
mas isso eu apago, pego a borracha
e desenho em cima da sua marca
um deus...
texto de Solange Mazzeto
e passo adiante o lápis...
tropeço e rabisco uma emoção rasa
que cheira licor [dos deuses]
da pena que sinto do meu coração
desenho uma lágrima
ela desce a escada
e desemboca
no fundo de minha alma
tem uma esperança que canta toda manhã
faz festa, coisa de pirralha, coisa de criança
assim, desenho um traço que vai do seu pescoço ao meu
em espiral, rabisco no seu queixo um beijo
e um desejo
em sua fronte um mel
na língua que ainda teima em te querer
sinto o fel
mas isso eu apago, pego a borracha
e desenho em cima da sua marca
um deus...
texto de Solange Mazzeto
quinta-feira, 17 de julho de 2008
Contrita
alcanço o botão, apagar o vão, anseio de minh’alma
é o amor ter e não fenecer...
quer ato mais gostoso do que adormecer caído o colo do amor?
generoso me tomo em forma de rei, a rainha não morreu, o cavalo não viveu...
dumas, os pássaros saem de sua toca, rumos? o manto levanta o céu...
nem areia some da dor, nem a flor some da água
o anseio dobra a viga da estrada, o sexo aflora da prisão, o pão é sem nome, curvo me curvo de tua boca caiada de pó, curvo me curvo junto de sua pele dourada com minha alma sonada, e o corpo espiando o entardecer...
é o amor ter e não fenecer...
quer ato mais gostoso do que adormecer caído o colo do amor?
generoso me tomo em forma de rei, a rainha não morreu, o cavalo não viveu...
dumas, os pássaros saem de sua toca, rumos? o manto levanta o céu...
nem areia some da dor, nem a flor some da água
o anseio dobra a viga da estrada, o sexo aflora da prisão, o pão é sem nome, curvo me curvo de tua boca caiada de pó, curvo me curvo junto de sua pele dourada com minha alma sonada, e o corpo espiando o entardecer...
E por falar em dor
o tempo fita nossos olhos de um jeito tão irreal que no sonho a vida cria laços, o destino não termina, determina, cuida, massageia, o ego sobe a estrada vira...
nessa estrada nada mais nos cabe dar, o tempo perdido que se destinou, já foi, o amor não correspondido, deixa marcas indeléveis, resfriadas... a carne pena, a alma sai...
o bambu se enverga num raio de luz azul, a mancha amarela sobe num trem de fogo...
surdos, nos fazemos mudos... rompe-se no ar uma cortina de medo, a máscara corporal sofre, cheia de dedos, que virá? pra onde ir?
que buscar?
buscar o vão que a roupa afrouxa, buscar prisão dos anseios que assola a porta, bater no vidro que remexe a calma.
fundo, é fundo o buraco da dor, funda e tenebrosa... a dor...
nessa estrada nada mais nos cabe dar, o tempo perdido que se destinou, já foi, o amor não correspondido, deixa marcas indeléveis, resfriadas... a carne pena, a alma sai...
o bambu se enverga num raio de luz azul, a mancha amarela sobe num trem de fogo...
surdos, nos fazemos mudos... rompe-se no ar uma cortina de medo, a máscara corporal sofre, cheia de dedos, que virá? pra onde ir?
que buscar?
buscar o vão que a roupa afrouxa, buscar prisão dos anseios que assola a porta, bater no vidro que remexe a calma.
fundo, é fundo o buraco da dor, funda e tenebrosa... a dor...
Novo amor? É possível?
acreditar num novo amor
serei feliz novamente?
sonhos e realidade se misturam
tudo nubla...
conselhos, metas, finais de um tempo...
insana, que mulher não fica insana? o que sentir depois que o amor se foi? como permitir que a dor não se alastre ao ponto de que o chão seja um buraco aceitável?
mundo que formamos, cores que desbotam... mãos que se afrouxam... laços cor-de-rosa... que desmancham...
serei feliz novamente?
sonhos e realidade se misturam
tudo nubla...
conselhos, metas, finais de um tempo...
insana, que mulher não fica insana? o que sentir depois que o amor se foi? como permitir que a dor não se alastre ao ponto de que o chão seja um buraco aceitável?
mundo que formamos, cores que desbotam... mãos que se afrouxam... laços cor-de-rosa... que desmancham...
Ela
E lá estava ela, deitada entre os lençóis, ávida flutuando entre seus cabelos, que não sabia se cortava, pra quem sabe talvez cortar ele da cabeça de vez..., será, ela pensava, se eu cortar o cabelo bem curto, deixo de pensar nele?
Uma agonia quase febril dilatava seus poros, o rosto afogueado, a boca num rito de dor...
A punhalada nas costas lhe doía, o ouvido ouvia ainda a voz dele ressoando, e ela ainda queria saber dele, como estava? Mal? Bem? Contente? Sentiria falta dela?
Perguntas caprichosas, perguntas doentias, diziam as amigas... e ela? Pra ela? Como era?
Ela estava realmente com a alma doente? Acorrentada? Será?
Ela não sabia, mas o tempo lhe diria que a dor permanece na entranha, não teria outro pra dar o que esse cara dava? Ou existiria alguém melhor? Como as amigas apregoavam?
Ela não sabia naquele momento, ela não sabia, ou ela não queria saber mais também, o acervo cerebral estava esgotado, o tempo corroia lembranças, dilacerava o seu pensar, o raciocínio lhe turvava a visão, ela estava na burrice da paixão...
by Solange Mazzeto
Uma agonia quase febril dilatava seus poros, o rosto afogueado, a boca num rito de dor...
A punhalada nas costas lhe doía, o ouvido ouvia ainda a voz dele ressoando, e ela ainda queria saber dele, como estava? Mal? Bem? Contente? Sentiria falta dela?
Perguntas caprichosas, perguntas doentias, diziam as amigas... e ela? Pra ela? Como era?
Ela estava realmente com a alma doente? Acorrentada? Será?
Ela não sabia, mas o tempo lhe diria que a dor permanece na entranha, não teria outro pra dar o que esse cara dava? Ou existiria alguém melhor? Como as amigas apregoavam?
Ela não sabia naquele momento, ela não sabia, ou ela não queria saber mais também, o acervo cerebral estava esgotado, o tempo corroia lembranças, dilacerava o seu pensar, o raciocínio lhe turvava a visão, ela estava na burrice da paixão...
by Solange Mazzeto
Contando
Contando
Era um você
Era um ‘eu’
Assim meio no meio do mato, na mata...
Era um você atravessado em mim
Estirado em meu colo
Aconchegado em meus cabelos
Éramos nós
Amontoados nos lençóis
Segurando um no olho do outro
Buscando maneiras de sermos felizes
Arriscando uma etapa vinda de duas mãos
Que se unem e se sondam pelo espaço
Era um você misturado com um ‘eu’
E muitos laços...
Era felicidade isso
De um jeito tão certo de ser, que me comove até hoje em dia
Éramos um conjunto de obras, de plantas másculas e fêmeas
Agora é você
E é um ‘eu’
Solange Mazzeto
Era um você
Era um ‘eu’
Assim meio no meio do mato, na mata...
Era um você atravessado em mim
Estirado em meu colo
Aconchegado em meus cabelos
Éramos nós
Amontoados nos lençóis
Segurando um no olho do outro
Buscando maneiras de sermos felizes
Arriscando uma etapa vinda de duas mãos
Que se unem e se sondam pelo espaço
Era um você misturado com um ‘eu’
E muitos laços...
Era felicidade isso
De um jeito tão certo de ser, que me comove até hoje em dia
Éramos um conjunto de obras, de plantas másculas e fêmeas
Agora é você
E é um ‘eu’
Solange Mazzeto
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