domingo, 1 de março de 2009

Simples



simples roda
que me redonda a vida

um cílio no futuro
um ariscar de letras

sonho refeito
acreditar no começo,
no meio
e no recomeço

simples roçar de dedos
num olhar que
conta alguns segredos

simples crer
que finais não existem
coexistem
consistem
mas não acabam nunca

simples passo
até uma mão estendida
no fiapo de uma vida

simples esfumaçar de lanças
que se desfolham
na ferida

e tudo é tão simples
no simplismo vital
em alarmantes sons
diante do sinal

do sinal
que
faz-nos sentir pássaros



by Solange Mazzeto
desconheço a autoria da imagem

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

SIM

sim, eu deixarei viver
o instante de tua boca
na minha boca

e de
minha boca
a tua boca
constantemente

deixarei que me leve
do paraíso a terra
em segundos
...dias, meses e anos...

enxugarei
alguma lágrima tua
que porventura
venha
parar em meu colo

te levarei às nuvens

caminharei contigo
na espuma cálida da noite

e deixarei livre
meu pé para voar
até ti

as brasas
do inferno
congelarei em túmulo,
com a inscrição
‘aqui jaz o medo’

fincarei
a bandeira da paz
em teu
e
no meu coração

porque

de mãos dadas
olhando
as estrelas
que se firmam

no céu em dádiva

está escrito
em linhas douradas,
um tanto comedidamente
tortas

que,
a alma
nossa
é una



by Solange Mazzeto

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Pedras do destino

dia de cinzas, um choro franzino, depois agudo,
de fazer gemer o coração mais frio
até que palavras gêmeas chegaram
quebrando a maldição

duas almas misturadas
cheias de anseio e verdade
dois corações juntos
de almas amigas

e anjos com suas trombetas douradas
em raios celestes
fizeram coro
pra lavrar o dia

preciosas pedras do destino
asas violáceas, rasgadas em seda colorida
fizeram vôo e galgaram vidas


texto por Solange Mazzeto

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Quisera eu ter no corpo o véu da despedida

doce ilusão que me rasgou ao meio
ou em mil
fez-me risos tão sonoros e precisos

ainda sinto tua mão no meu olhar
tão lindo, eras tão lindo
um menino crescido, um menino tão homem

o espio escondida
e dentro de mim, lágrimas capciosas
rezam em latim

não me atrevo mais a ti
não posso amor
o tempo urge

amanhã quem sabe será tarde
ou muito cedo,
pra te responder...

não penso amor, senão desisto
deixa-me aqui na amurada
rústica do anseio,

deixa-me assim tão quieta
como doce de vitrine
ainda a espera de seus versos...

deixa-me



by Solange Mazzeto

sábado, 3 de janeiro de 2009

E era amor



um golpe de ar
num inverno que não gelava
sapato de salto
cinta-liga e atitude

lances de escadas pintadas em vermelho
luz difusa
com fumaça de cigarro
e um cavanhaque

poetas
mesa de bar
vinho tinto, conhaque
e água mineral

num desatino o olhar atraiçoa e voa
a mira é certeira
a boca qual doce, molha-se em caldas quentes
e curvo-me docemente


texto by Solange Mazzeto
desconheço a autoria da imagem

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Memórias

Memórias

navegando entre ondas fortes
na minha ânsia senti tua pressão
teu corpo como imã colado ao meu
senti teu tesão tão misturado com o meu que eu não sei até hoje de onde saia tanto fogo

quando me lembro de você, já não é mais com uma saudade dolorida
a recordação é sentida com a alegria que tem um náufrago ao encontrar terra firme

entendi que tudo tem tempo e hora pra terminar
entendi que existem coisas eternas só no que diz respeito à alma e não a carne

um dia talvez, quem sabe, não é...
você nem estará mais em minhas memórias
será como o rio que passa e não repete suas águas...


by Solange Mazzeto
Powered By Blogger
eXTReMe Tracker

Marcadores