Dá-me a tua mão
Clarice LIspector
Dá-me a tua mão:
Vou agora te contar
como entrei no inexpressivo
que sempre foi a minha busca cega e secreta.
De como entrei
naquilo que existe entre o número um e o número dois,
de como vi a linha de mistério e fogo,
e que é linha sub-reptícia.
Entre duas notas de música existe uma nota,
entre dois fatos existe um fato,
entre dois grãos de areia por mais juntos que estejam
existe um intervalo de espaço,
existe um sentir que é entre o sentir
- nos interstícios da matéria primordial
está a linha de mistério e fogo
que é a respiração do mundo,
e a respiração contínua do mundo
é aquilo que ouvimos
e chamamos de silêncio.
quinta-feira, 2 de julho de 2009
quarta-feira, 1 de julho de 2009
Conjecturas
O céu está muito estrelado, a noção dos dias tortos deposita na mesa, uma goteira de desatenção. Um chá servido com carinho faz o milagre do agora, ser real.
Não há nada vazio, e tudo pode ser de um vazio muito profundo.
A pedra comprada é violeta, o presente não é esperado, mas será dado amanhã.
escrito by Solange Mazzeto
desconheço a autoria da imagem
Sete luas

fabuloso tempo
onde nasce e morre
o desejo
houve o sopro da alegria
em rimas
houve a sorte de ter
salivas
e
saliências
nesse tempo
[ sete luas]
almas se fundiram
houve pouco tempo para o sono
[com medo de acordar e ver que era sonho]
mas foi sonho?
por favor Vida me diga...
poema by Solange Mazzeto
desconheço a aurotia da imagem
quinta-feira, 4 de junho de 2009
Olhe...
domingo, 31 de maio de 2009
Tudo é [quase] questão
ser, não ser
é a questão do saber
do não saber
do ter
do não ter
do encontro, desencontrado em tanto beco e tanta estrada
um ‘zumzumzum’, um arrepio
uma idéia [des]esperada
um anjo morno
um ativo
a oração...
tudo é válvula de escape
um céu sem nuvens
o pássaro que voa bem alto
a lanterna de papel...
e tudo vira assunto besuntado em lágrimas e sorrisos estreitados
o Universo conspira, inspira
reclama, manda recadinho torto
a vida ganha, perde, lava...
a fita da vida afrouxa, esgarça, prende
... desaparece no anoitecer [amanhecer] das pálpebras...
imagem e texto by Sole Mazzeto
quinta-feira, 28 de maio de 2009
Sempre? Sempre
Sempre? Sempre
sempre quis uma cabana, o mar,
passarinhos ao redor
borboletas amarelas pra olhar
sempre quis um amor de verdade
daqueles que não escondem nada
e falam tudo
sempre quis uma mão que pousasse
além do meu seio
que sentisse além do anseio
sempre quis uma voz que me acalmasse
e me abrasasse
que me despisse e me cobrisse
sempre pedi a Vida
isso tudo
para sempre
mas na realidade
[que muitas vezes é tão dura]
o sempre, é só uma ilusão
...
texto by Solange Mazzeto
desconheço a autoria da imagem
sábado, 2 de maio de 2009
Poema doce
desejo um poema doce
que escorra mel
onde a delicadeza, se mescle com a reverência
calada no seio da noite
percorro lábios
acho vogais
meu corpo se vai
num trem sem saída
num labirinto de junco
alcanço tua atmosfera
recrio tua selvageria
arrepio nos lençóis macios
teu corpo inebria minha vista
meu paraíso é você
é você
meu paraíso é você
você
by Solange Mazzeto
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