Sombras
o bule sobre a pia
cheira café frio
a melancolia queria colo
um dedo na memória
um rio sem saber
olhos adormecem
ao sabor do sal
texto by Solange Mazzeto
sexta-feira, 3 de julho de 2009
quinta-feira, 2 de julho de 2009
Pensei que não era sem classe pedir...

Pensei que não era sem classe pedir...
...pedir que Deus me trouxesse de volta, a jabuticaba dos dias de meus 6 anos de idade. Ela era tão doce, a casca tão fina... E tinha também a fruta-do-conde na árvore de minha meninice...
E a lua era tão maior que de agora?!
Ainda quando na réstia de luz de minha mente, me recordo de dias desses, o ar aprisionado em meu peito, das mágoas cantadas, saem todas e as asas de minhas costas voam contentes...
Não sou uma velha pra escrever assim, a meninice ainda clareia meus sonhos, minha boca ainda sorri em riso aberto, mas meu peito anda se fechando, quase calmo e sereno, e disso tenho é muito medo.
Mas, de medo, aprendi que é um fedelho de calças compridas, que destrói os ossos, e as vias de respiração, soube que medo derrete células, medo é um caroço de abacate na goela, e como tive a divindade de aprender a lidar com o tal, o mato agora e sem receio. Vai-te longe, oh! Sem graça, vai-te longe de mim...
Agora que aprendi a pedir, peço a Deus que o compreenda, e me compreenda afinal sinais de gelo, fumaças de alucinação, são fantoches da ira e da fraca imaginação...
Se te amo, eu te amo, e não tem mais solução, no meu seio estás guardado e deitado em meu coração, e sabes? O imagino sempre contente, com ar de gente satisfeita, qual gato estirado ao chão, daqueles gatos que amam uma réstia de sol, na brisa da janela, compreende? E sabe se esparramar sem medo, porque gato não tem medo de trepar na janela mais alta do sonho e miar, pedindo leite e um pouco de atenção...
Agora que sei pedir, peço, oh! Deus! Livrai-me sempre de qualquer entonação mais dolorida que eu possa vir a ter, por falta de minha própria atenção!
Dai-me Senhor o desejo de continuar atenta, com os olhos fogosos num céu ditoso de estrelas, onde a lua e o sol se vestem da mais macia seda,e que eu possa cavalgar na brisa, deixando a mente ser varrida pelos Elísios campos do céu...
texto by Solange Mazzeto
desconheço a autoria da imagem
Dá-me a tua mão [Clarice Lispector]
Dá-me a tua mão
Clarice LIspector
Dá-me a tua mão:
Vou agora te contar
como entrei no inexpressivo
que sempre foi a minha busca cega e secreta.
De como entrei
naquilo que existe entre o número um e o número dois,
de como vi a linha de mistério e fogo,
e que é linha sub-reptícia.
Entre duas notas de música existe uma nota,
entre dois fatos existe um fato,
entre dois grãos de areia por mais juntos que estejam
existe um intervalo de espaço,
existe um sentir que é entre o sentir
- nos interstícios da matéria primordial
está a linha de mistério e fogo
que é a respiração do mundo,
e a respiração contínua do mundo
é aquilo que ouvimos
e chamamos de silêncio.
Clarice LIspector
Dá-me a tua mão:
Vou agora te contar
como entrei no inexpressivo
que sempre foi a minha busca cega e secreta.
De como entrei
naquilo que existe entre o número um e o número dois,
de como vi a linha de mistério e fogo,
e que é linha sub-reptícia.
Entre duas notas de música existe uma nota,
entre dois fatos existe um fato,
entre dois grãos de areia por mais juntos que estejam
existe um intervalo de espaço,
existe um sentir que é entre o sentir
- nos interstícios da matéria primordial
está a linha de mistério e fogo
que é a respiração do mundo,
e a respiração contínua do mundo
é aquilo que ouvimos
e chamamos de silêncio.
quarta-feira, 1 de julho de 2009
Conjecturas
O céu está muito estrelado, a noção dos dias tortos deposita na mesa, uma goteira de desatenção. Um chá servido com carinho faz o milagre do agora, ser real.
Não há nada vazio, e tudo pode ser de um vazio muito profundo.
A pedra comprada é violeta, o presente não é esperado, mas será dado amanhã.
escrito by Solange Mazzeto
desconheço a autoria da imagem
Sete luas

fabuloso tempo
onde nasce e morre
o desejo
houve o sopro da alegria
em rimas
houve a sorte de ter
salivas
e
saliências
nesse tempo
[ sete luas]
almas se fundiram
houve pouco tempo para o sono
[com medo de acordar e ver que era sonho]
mas foi sonho?
por favor Vida me diga...
poema by Solange Mazzeto
desconheço a aurotia da imagem
quinta-feira, 4 de junho de 2009
Olhe...
domingo, 31 de maio de 2009
Tudo é [quase] questão
ser, não ser
é a questão do saber
do não saber
do ter
do não ter
do encontro, desencontrado em tanto beco e tanta estrada
um ‘zumzumzum’, um arrepio
uma idéia [des]esperada
um anjo morno
um ativo
a oração...
tudo é válvula de escape
um céu sem nuvens
o pássaro que voa bem alto
a lanterna de papel...
e tudo vira assunto besuntado em lágrimas e sorrisos estreitados
o Universo conspira, inspira
reclama, manda recadinho torto
a vida ganha, perde, lava...
a fita da vida afrouxa, esgarça, prende
... desaparece no anoitecer [amanhecer] das pálpebras...
imagem e texto by Sole Mazzeto
Assinar:
Postagens (Atom)

