sábado, 4 de julho de 2009

TODAS




toda manhã

ela se levanta

e senta na mesa com petulância

levanta a sobrancelha que nem criança

sacode o destino na lambança



toda tarde

ela alucina na distância

que tem o pé na abóbora de trança

que tem a ginga na saia e na dança



toda noite

ela fica na parede

encostada na janela

debruçada na calçada

vivenciando a sede que [a] balança


texto by Solange Mazzeto

desconheço a autoria da imagem

O que sou






sou feita de retalhos coloridos

gargalho livre

vôo pelo espaço

sou feita de espuma de sabão

sumo de limão

colcha pelo chão

adoro comer pão

não consigo viver e criar [bem] sem a tal da paixão

sou meio sapo no lago

disciplinada com bico de guardanapo

o que sou, é o que vejo, o que não sou, não dou conta

é só [coisa de] momento...

posso amar e ‘desamar’ em questão de segundos inteiros

isso é só questão de tempo

[mas o que é o tempo?]

se amo, é porque gosto, se não gosto não tem solução

mas amo fortemente, até quem não tenho direito

sou, contraditória...

vivo para o agora

é a solução de quem sabe que não tem hora


by Solange Mazzeto [imagem e texto]

Razões

"o olfato sabe de razões que o olho desconheçe"


frase by Solange Mazzeto

Prazer

em meio a sedas

toalha de banho

o cabelo preso no alto

uns fios escapam

água no seio

escorre lambendo a barriga

os pés sentem o espaço e voam...

livre

qual passarinho que sai do ninho

fresca, qual chuva de verão

térmica

.

.

.


by Solange Mazzeto

Só o tempo



era uma questão de tempo, de charme, de oportunidade

um estado febril de paixão, de náusea, manuseio, instabilidade,que pode levar a estabilidade

pra cada um, um meio e uma verdade, uma maneira de encarar a cara no espelho de mil faces, de ter dom de usar o que sabe e o que não sabe

atitudes passionais, sonhos demasiados na adrenalina, a cabeça cheia de éter, Arizona em cima de um cavalo.

a mente divaga, espaça, recebe, percebe, escapa

o ar chega quente, o inalar que agüente

o volume no cérebro vazou, o líquido da face escorreu e acho que nessa ninguém venceu...



texto by Solange Mazzeto

desconheço a autoria da imagem

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Sombras

Sombras



o bule sobre a pia

cheira café frio



a melancolia queria colo



um dedo na memória

um rio sem saber



olhos adormecem

ao sabor do sal


texto by Solange Mazzeto

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Pensei que não era sem classe pedir...





Pensei que não era sem classe pedir...
...pedir que Deus me trouxesse de volta, a jabuticaba dos dias de meus 6 anos de idade. Ela era tão doce, a casca tão fina... E tinha também a fruta-do-conde na árvore de minha meninice...
E a lua era tão maior que de agora?!
Ainda quando na réstia de luz de minha mente, me recordo de dias desses, o ar aprisionado em meu peito, das mágoas cantadas, saem todas e as asas de minhas costas voam contentes...
Não sou uma velha pra escrever assim, a meninice ainda clareia meus sonhos, minha boca ainda sorri em riso aberto, mas meu peito anda se fechando, quase calmo e sereno, e disso tenho é muito medo.
Mas, de medo, aprendi que é um fedelho de calças compridas, que destrói os ossos, e as vias de respiração, soube que medo derrete células, medo é um caroço de abacate na goela, e como tive a divindade de aprender a lidar com o tal, o mato agora e sem receio. Vai-te longe, oh! Sem graça, vai-te longe de mim...
Agora que aprendi a pedir, peço a Deus que o compreenda, e me compreenda afinal sinais de gelo, fumaças de alucinação, são fantoches da ira e da fraca imaginação...
Se te amo, eu te amo, e não tem mais solução, no meu seio estás guardado e deitado em meu coração, e sabes? O imagino sempre contente, com ar de gente satisfeita, qual gato estirado ao chão, daqueles gatos que amam uma réstia de sol, na brisa da janela, compreende? E sabe se esparramar sem medo, porque gato não tem medo de trepar na janela mais alta do sonho e miar, pedindo leite e um pouco de atenção...
Agora que sei pedir, peço, oh! Deus! Livrai-me sempre de qualquer entonação mais dolorida que eu possa vir a ter, por falta de minha própria atenção!
Dai-me Senhor o desejo de continuar atenta, com os olhos fogosos num céu ditoso de estrelas, onde a lua e o sol se vestem da mais macia seda,e que eu possa cavalgar na brisa, deixando a mente ser varrida pelos Elísios campos do céu...


texto by Solange Mazzeto

desconheço a autoria da imagem
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