fogueira,
tava quente, foi quente, pipocas explodindo
quente, muito quente, pelando
tomates na mão, tetas na mão, faces delirantes
explosão
cinzas inteiras
um sopro
e tudo
feneceu
tudo menos eu
me mantive bem
mesmo chamuscada
mas
...
salva!
texto by Solange Mazzeto
segunda-feira, 13 de julho de 2009
sábado, 11 de julho de 2009
Dia de [muita] chuva

Era uma manhã de sábado com chuva, tinindo lá fora, eu estava só em casa, filha já crescida, em férias e viajando, uns poucos dias, mas era quase estranho e ao mesmo tempo bom estar ao velho gosto de estar só, de ouvir minha própria respiração, de chorar uma lágrima, de suspirar pelo canto da sala, de cantar a música antiga das Frenéticas em frente ao espelho, e gargalhar de mim mesma, comigo mesma...
A chuva incessante não para um segundo, até pra dar comida pra minha cachorra, tive que ir de guarda-chuva, meio correndo, pra não me molhar...
Ia sair, ia ao cinema ver a Era do Gelo 3, ia só, porque gosto de ir só ao cinema, não sempre, mas pra variar eu curto isso, rir só, no meio de tanta gente rindo junto.
Gosto de ver quem chega ao cinema, como chega cada um ao seu estilo e jeito, a maioria com pipocas enormes, os sacos de pipocas estão cada vez maiores e com refil, mas acho as pipocas meio murchas, raramente estão fresquinhas, dia desses estava no interior de São Paulo e lá sim comi pipocas feitas na hora, com bastante molho de pimentas, coloquei tanta pimenta que escorregou pela minha mão, e me lembrei da minha infância... E de minha adolescência, tempo bom pra recordar. Dinheiro escasso por vezes, mas eu tinha uma alegria ímpar, tudo era bom pra mim, o passeio, o lanche, o sapato que só ganhava uma vez ao ano, em dia de Natal...
Melancolia saudosa, tempos esvoaçante de vestidos esvoaçantes, acho que é por isso que até hoje gosto muito de colocar vestidos, a sensação me agrada, restaura sempre algo de bom e prazeroso da minha vida.
Quase agora me vem à mente o gosto do beijo, beijar é bom né! O meu primeiro beijo foi ruim, muito ruim, cheguei em casa, escovando os dentes, a língua, o rosto, achei muito melado, babado, mas depois fui gostando e até hoje gosto muito do sabor do beijo na boca, o roçar da respiração, o estalido de beijinho rápido, o gemer do beijo demorado...
Mas, enfim, estou só num sábado pra lá de chuvoso. Vou acabar saindo de casa, acho que o ‘só’ já está me deixando estranha...
foto e texto by Solange Mazzeto
Camuflagem
Capas ao redor dos olhos, vestígios de falta de amor, de conceito, de educação. A mãe nada tem com isso, ou muito tem não me importa, nem tudo é culpa da mãe, insisto nisso, porque quantos marginais conseguem viver bem numa sociedade caótica, onde ele próprio foi filho de desastres de berço, conheço alguns, graças aos Céus tem gente que consegue sobreviver ao olho do furacão.
Minha mãe costuma dizer que sempre temos anjos ao nosso redor, Anjos de Deus que acampam ao nosso redor e nos protegem e nos guiam! E tem sim, pois Deus não é gente, mas Ele se faz gente através de nós [frase do querido Luís Gasparetto]
Mas, pra não perder o fio da meada, quanta gente coloca uma camuflagem e age assim durante milênios, sem quase nada querer aprender?[É porque pra aprender a gente tem que querer!] Alguns, e infelizmente conheço gente dessa natureza.
A mentira tem um fedor, que reconheço de longe, sabe que às vezes, eu quero me enganar e achar que estou 'sentindo' demais, é faço isso, afinal tenho meu instinto animal de camuflagem também, mas o legal em mim é que distingo isso em mim, aí é um grande passo pro meu progresso pessoal e intransferível de viver bem comigo mesma.
Eu gosto de estar comigo, não tenho necessidade de estar sempre rodeada de gente, acho que as pessoas que mais se camuflam, são as que mais têm necessidade de ter ‘acessórios’ a sua volta, estar nunca sozinho, sempre com muitos ‘amigos’ falando e rodeando, sei lá, posso estar enganada, se eu estiver um dia volto atrás disso tudo que escrevi e discursei, mas por enquanto é exatamente o que penso.
by Solange Mazzeto
Minha mãe costuma dizer que sempre temos anjos ao nosso redor, Anjos de Deus que acampam ao nosso redor e nos protegem e nos guiam! E tem sim, pois Deus não é gente, mas Ele se faz gente através de nós [frase do querido Luís Gasparetto]
Mas, pra não perder o fio da meada, quanta gente coloca uma camuflagem e age assim durante milênios, sem quase nada querer aprender?[É porque pra aprender a gente tem que querer!] Alguns, e infelizmente conheço gente dessa natureza.
A mentira tem um fedor, que reconheço de longe, sabe que às vezes, eu quero me enganar e achar que estou 'sentindo' demais, é faço isso, afinal tenho meu instinto animal de camuflagem também, mas o legal em mim é que distingo isso em mim, aí é um grande passo pro meu progresso pessoal e intransferível de viver bem comigo mesma.
Eu gosto de estar comigo, não tenho necessidade de estar sempre rodeada de gente, acho que as pessoas que mais se camuflam, são as que mais têm necessidade de ter ‘acessórios’ a sua volta, estar nunca sozinho, sempre com muitos ‘amigos’ falando e rodeando, sei lá, posso estar enganada, se eu estiver um dia volto atrás disso tudo que escrevi e discursei, mas por enquanto é exatamente o que penso.
by Solange Mazzeto
sexta-feira, 10 de julho de 2009
Ir? Não ir
Ir, não ir, que fazer? Então escuto o som da chuva do lado de fora de minha casa, gotas grossas, curtas e longas, quase uma sinfonia do céu... A cabeça contradiz, é dois não, mil vezes a palavra sim, batendo que nem martelo no cérebro. A chuva poderia ser uma boa desculpa pra não ir, mas seria ao mesmo tempo uma desculpa esfarrapada. E também não sou feita de açúcar, ou sou?
Sabe que acho que sou meio ‘açuquinha’, que derrete com saliva! E então, vou? Fico?
Vou fazer um chá, amornar os lábios, derreter um chocolate meio amargo entre a língua e o céu da boca, sentir descer na garganta e deixar essa sensação crescer em mim, até eu decidir, até eu saber o que quero.
Sou contraditória, peso na balança, os prós e os contras, a balança pesa pro lado gostoso desse ir, mas e o lado ‘crespo’ da história?
Deixo pra lá?
texto by Solange Mazzeto
Sabe que acho que sou meio ‘açuquinha’, que derrete com saliva! E então, vou? Fico?
Vou fazer um chá, amornar os lábios, derreter um chocolate meio amargo entre a língua e o céu da boca, sentir descer na garganta e deixar essa sensação crescer em mim, até eu decidir, até eu saber o que quero.
Sou contraditória, peso na balança, os prós e os contras, a balança pesa pro lado gostoso desse ir, mas e o lado ‘crespo’ da história?
Deixo pra lá?
texto by Solange Mazzeto
quinta-feira, 9 de julho de 2009
Remoço na sombra de uma tarde
Uma tarde com band-aid, um coração meio torto, e nessa estrada lá ia, cantarolando pérolas, ziguezagueando das amebas...
Um pedaço de saudade na goela, uma pedra atirada no poço da covardia, um ou dois movimentos de pálpebras salgando a face.
Vontade de esfregar a lâmina de corte na ferida e abrir até escorrer sangue. Mas não havia mais vida nisso...
O mundo roda devagar quando a dor incomoda os ânimos. Cada qual faz seu mundo, miúdo ou felizmente graúdo.
Me sento na beirada da atitude, entro de soslaio, ou inteiramente faceira?
Claro que faceira, prefiro o corte na mão, do que a covardia de não tentar...
E assim remoço nas sardas de um rosto... [o meu]
by Solange Mazzeto
Um pedaço de saudade na goela, uma pedra atirada no poço da covardia, um ou dois movimentos de pálpebras salgando a face.
Vontade de esfregar a lâmina de corte na ferida e abrir até escorrer sangue. Mas não havia mais vida nisso...
O mundo roda devagar quando a dor incomoda os ânimos. Cada qual faz seu mundo, miúdo ou felizmente graúdo.
Me sento na beirada da atitude, entro de soslaio, ou inteiramente faceira?
Claro que faceira, prefiro o corte na mão, do que a covardia de não tentar...
E assim remoço nas sardas de um rosto... [o meu]
by Solange Mazzeto
A hora do umbigo
O cheiro entrava, as narinas amanhecidas sentia o aroma de um olhar comprido, que ia da face até o umbigo, a vida mergulhava em rosas, todas sem nenhum espinho ou artifício, o adubo era escorregadio, fino... melancólico...
O café inalava a lembrança [quase tão forte, quanto aquele café que ela fazia...]
[O mundo é mesmo bolha de sabão quando a atmosfera eclode].
A fotografia estava ali pra ela espiar. Aborrecida com tanta ameba florindo seu jardim, dá o basta de misericórdia por ela mesma. Sobe ao banho, deixa sua pela macia e retira o esparadrapo do umbigo, o deixando falar...
by Solange Mazzeto
O café inalava a lembrança [quase tão forte, quanto aquele café que ela fazia...]
[O mundo é mesmo bolha de sabão quando a atmosfera eclode].
A fotografia estava ali pra ela espiar. Aborrecida com tanta ameba florindo seu jardim, dá o basta de misericórdia por ela mesma. Sobe ao banho, deixa sua pela macia e retira o esparadrapo do umbigo, o deixando falar...
by Solange Mazzeto
sábado, 4 de julho de 2009
Apresento à vocês meu poema que foi musicado
Melodia e voz: Carlos F. Ribeiro
Letra: Solange Mazzeto
Filmagem: Marlene Alves
http://www.youtube.com/watch?v=48Ul0I_Ix98
Letra: Solange Mazzeto
Filmagem: Marlene Alves
http://www.youtube.com/watch?v=48Ul0I_Ix98
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