domingo, 31 de maio de 2009

Tudo é [quase] questão



ser, não ser

é a questão do saber

do não saber

do ter

do não ter

do encontro, desencontrado em tanto beco e tanta estrada

um ‘zumzumzum’, um arrepio

uma idéia [des]esperada

um anjo morno

um ativo

a oração...

tudo é válvula de escape

um céu sem nuvens

o pássaro que voa bem alto

a lanterna de papel...

e tudo vira assunto besuntado em lágrimas e sorrisos estreitados

o Universo conspira, inspira

reclama, manda recadinho torto

a vida ganha, perde, lava...

a fita da vida afrouxa, esgarça, prende

... desaparece no anoitecer [amanhecer] das pálpebras...



imagem e texto by Sole Mazzeto

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Sempre? Sempre



Sempre? Sempre



sempre quis uma cabana, o mar,

passarinhos ao redor

borboletas amarelas pra olhar



sempre quis um amor de verdade

daqueles que não escondem nada

e falam tudo



sempre quis uma mão que pousasse

além do meu seio

que sentisse além do anseio



sempre quis uma voz que me acalmasse

e me abrasasse

que me despisse e me cobrisse



sempre pedi a Vida

isso tudo

para sempre



mas na realidade

[que muitas vezes é tão dura]

o sempre, é só uma ilusão

...


texto by Solange Mazzeto
desconheço a autoria da imagem

sábado, 2 de maio de 2009

Poema doce



desejo um poema doce
que escorra mel
onde a delicadeza, se mescle com a reverência

calada no seio da noite
percorro lábios
acho vogais

meu corpo se vai
num trem sem saída
num labirinto de junco

alcanço tua atmosfera
recrio tua selvageria
arrepio nos lençóis macios

teu corpo inebria minha vista
meu paraíso é você
é você
meu paraíso é você
você


by Solange Mazzeto

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Minha peça

Quem quiser ver um pedacinho da peça q to fazendo, clica aqui

http://www.youtube.com/watch?v=6NIfnCbuxZQ

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Cheiro d’alma



era uma mão que fazia descer a alça do sutiã
no olhar o pedido
o carinho
a emoção

era tesão
eu sabia que era só tesão

mas na ânsia feminina
era mais
era prazer de romance
em amor de cinema

era um apelo de nudez
com mãos espalmadas
no pescoço

na coluna
era um ajoelhar de idéias
desejadas
sem dono, sem esperança

era algo doado
membros acasalados
sem tempo pra acabar

era ímã de bocas coladas
era cheiro e vazão
d'alma


imagem: desconheço a autoria

texto by Solange Mazzeto

terça-feira, 24 de março de 2009

Algumas



algumas palavras
saem tangendo limites
arrebatando seres
cobrindo multidões

algumas verdades
são punhais de ouro
que maculam a alma
e corroem ossos

algumas pedras
são demônios
outras
são covardemente
certeiras

algumas tochas
iluminam o escuro
outras atravessam a lança
da luz

algumas palavras
me caem como gota
de um veneno insano
onde a tragédia
me [re] compõe



by Solange Mazzeto

imagem by Clara Pechansky

quarta-feira, 18 de março de 2009

Delicado



debruçada na varanda da sala
ela lia entre as folhas do café
mascando a ira
da antiga dor

debruçada em tranças fartas
ela sorria
com seu nariz de sarda

a fantasia brilhava
acalmando-a

e ela corria os olhos
entre as nuvens
perguntando-se

o porque
da
vida

e tudo a volta lhe dizia
que o mar renova
que as ondas voltam
e
que
as gaivotas
[depois de um tempo]
voam




by Solange Mazzeto


desconheço a origem da foto
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