Feliz pra quem tem namô e olhe lá, porque às vezes o ‘benhê’ tá tão distante, que o cara só tá ali com o corpo, pois a alma dele foi passear pra bem longe, parece que a alma do sujeito foi para o reino tão; tão e tão distante, que o burro do desenho do Shrek nem pensou em ir...
Dia infeliz pra quem acabou de perder o amado [a]. Ou porque morreu de morte natural, ou porque foi morto [a] dentro do nosso coração.
Feliz dia dos namorados é pra quem tá de paz com a alma, e que essa alma tá ‘segura’ com a outra alma.
É isso aí!
texto; Solange Mazzeto
sábado, 12 de junho de 2010
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
Vida & Morte
Hoje me delonguei a pensar mais sobre morte e vida. Assisti pela enésima vez ao filme “O Auto da Compadecida”, adoro esse filme, ele foi uma de minhas inspirações quando fiz uma personagem que era mendiga.
Assistindo, viajei na maionese, revi felicidade, revi enganos, pensei nos retirantes nordestinos, de quem sou filha de sangue, pensei na labuta de sol a sol, na carne curtida, na pela ardida da seca e da fome...
Hoje, relembrei dias em que em casa, o leite servido na mesa, era só pra mim, a caçula. Lembrei do meu pai, amassando com a mão o feijão com farinha de mandioca, e me deu uma alegria de ter tido ele em minha vida.
Depois, pensei na família inteira, no meu tio Dino, que era lindo tal e qual o Mel Gibson.
Fui assim, aqui e ali catando as migalhas carcomidas do tempo e o medo da morte, não da minha morte, mas das pessoas que tenho ao meu redor, mexeu com minhas entranhas.
E aquela velha história de que devemos dizer o ‘oi’ de cada dia antes que o mesmo ‘oi’ se perca em ecos sem volta, valeu, ah... valeu.
texto by Solange Mazzeto
Assistindo, viajei na maionese, revi felicidade, revi enganos, pensei nos retirantes nordestinos, de quem sou filha de sangue, pensei na labuta de sol a sol, na carne curtida, na pela ardida da seca e da fome...
Hoje, relembrei dias em que em casa, o leite servido na mesa, era só pra mim, a caçula. Lembrei do meu pai, amassando com a mão o feijão com farinha de mandioca, e me deu uma alegria de ter tido ele em minha vida.
Depois, pensei na família inteira, no meu tio Dino, que era lindo tal e qual o Mel Gibson.
Fui assim, aqui e ali catando as migalhas carcomidas do tempo e o medo da morte, não da minha morte, mas das pessoas que tenho ao meu redor, mexeu com minhas entranhas.
E aquela velha história de que devemos dizer o ‘oi’ de cada dia antes que o mesmo ‘oi’ se perca em ecos sem volta, valeu, ah... valeu.
texto by Solange Mazzeto
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
Tudo
tudo passa tão rápido e quase nada muda,
ou tudo muda e nada vemos
ou tudo sentimos em mudanças e nem apercebemos
relances de outrora,
vem a tona e vem a mente
no mundo a soma de favores gera apreensões
somos notificados de mortes de toda espécie
com tiros que saem rasgando gargantas
monstros fantasiam lagos de cores sinistras
o paraíso existe, inexiste
somos soma de forças contrárias,
tem gente que ri do teu mal estar,
outros choram lágrimas de absinto por você
uns dançam quando você morre naquele cadinho de esperança,
e assim andamos ou paramos
assim crescemos ou inutilmente vegetamos,
quando podemos simplesmente... viver...
by Solange Mazzeto
ou tudo muda e nada vemos
ou tudo sentimos em mudanças e nem apercebemos
relances de outrora,
vem a tona e vem a mente
no mundo a soma de favores gera apreensões
somos notificados de mortes de toda espécie
com tiros que saem rasgando gargantas
monstros fantasiam lagos de cores sinistras
o paraíso existe, inexiste
somos soma de forças contrárias,
tem gente que ri do teu mal estar,
outros choram lágrimas de absinto por você
uns dançam quando você morre naquele cadinho de esperança,
e assim andamos ou paramos
assim crescemos ou inutilmente vegetamos,
quando podemos simplesmente... viver...
by Solange Mazzeto
terça-feira, 29 de dezembro de 2009
Aparição amorosa
Doce fantasma, por que me visitas
como em outros tempos nossos corpos se visitavam?
Tua transparência roça-me a pele, convida
a refazermos carícias impraticáveis: ninguém nunca
um beijo recebeu de rosto consumido.
Mas insistes, doçura. Ouço-te a voz,
mesma voz, mesmo timbre,
mesmas leves sílabas,
e aquele mesmo longo arquejo
em que te esvaías de prazer,
e nosso final descanso de camurça.
Então, convicto,
ouço teu nome, única parte de ti que não se dissolve
e continua existindo, puro som.
Aperto... o quê? a massa de ar em que te converteste
e beijo, beijo intensamente o nada.
Amado ser destruído, por que voltas
e és tão real assim tão ilusório?
Já nem distingo mais se és sombra
ou sombra sempre foste, e nossa história
invenção de livro soletrado
sob pestanas sonolentas.
Terei um dia conhecido
teu vero corpo como hoje o sei
de enlaçar o vapor como se enlaça
uma idéia platônica no espaço?
O desejo perdura em ti que já não és,
querida ausente, a perseguir-me, suave?
Nunca pensei que os mortos
o mesmo ardor tivessem de outros dias
e no-lo transmitissem com chupadas
de fogo aceso e gelo matizados.
Tua visita ardente me consola.
Tua visita ardente me desola.
Tua visita, apenas uma esmola.
Carlos Drummond de Andrade
como em outros tempos nossos corpos se visitavam?
Tua transparência roça-me a pele, convida
a refazermos carícias impraticáveis: ninguém nunca
um beijo recebeu de rosto consumido.
Mas insistes, doçura. Ouço-te a voz,
mesma voz, mesmo timbre,
mesmas leves sílabas,
e aquele mesmo longo arquejo
em que te esvaías de prazer,
e nosso final descanso de camurça.
Então, convicto,
ouço teu nome, única parte de ti que não se dissolve
e continua existindo, puro som.
Aperto... o quê? a massa de ar em que te converteste
e beijo, beijo intensamente o nada.
Amado ser destruído, por que voltas
e és tão real assim tão ilusório?
Já nem distingo mais se és sombra
ou sombra sempre foste, e nossa história
invenção de livro soletrado
sob pestanas sonolentas.
Terei um dia conhecido
teu vero corpo como hoje o sei
de enlaçar o vapor como se enlaça
uma idéia platônica no espaço?
O desejo perdura em ti que já não és,
querida ausente, a perseguir-me, suave?
Nunca pensei que os mortos
o mesmo ardor tivessem de outros dias
e no-lo transmitissem com chupadas
de fogo aceso e gelo matizados.
Tua visita ardente me consola.
Tua visita ardente me desola.
Tua visita, apenas uma esmola.
Carlos Drummond de Andrade
sábado, 26 de dezembro de 2009
Carpinejar
Temos o costume de considerar bonita a letra que se entende. Mas a personalidade está no garrancho - Carpinejar -
DESCONHEÇO A AUTORIA DA IMAGEM
sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
Tarde de sexta-feira qualquer

Uma tarde que poderia ser como qualquer outra, mas tem no timbre quase um poema, um som leve que me faz viajar nas paredes do meu sonho.
Sinto uma paz como há muito não sentia, algo como uma mistura de asas volitando na barriga e plumas acariciando meu instinto.
Sinto-me menos humana, quase fada, parece que agora tudo que quero, posso ter...
Olho pra janela e vejo um céu acinzentado, brando, parece que o mundo parou de respirar, ou está naquele estágio de sono profundo, prudente.
Olho pras minhas mãos e as vejo perfeitamente ‘feitas’ pintadas como gosto, com o capricho cintilante que só minha manicure consegue.
Nesse instante tomando um gole de chá, escrevo para mim mesma, pra me ouvir...
Sinto um total desprendimento de espírito como se pudesse nesse minuto de tempo, flutuar e dançar rodopiando feita bailarina em seu solo, quase cisne, quase tão bela quanto esse tímido sol que estou a ver agora nesse finzinho dessa sexta-feira ‘qualquer’.
texto & imagem by Solange Mazzeto
quinta-feira, 26 de novembro de 2009
O Olhar
Quem vê, vê o que vê, enxerga o lado esquerdo ou o direito, vê o tempo arredondar ou enfeitiçar, sente arrepios ou a libertinagem chegando de mansinho, querendo navegar.
O olho qual câmera anônima registra tudo, guarda e depois na cabana do sonho, se põe a recordar.
E na memória ali... a fotografia da mente vira semente e quer ir logo brotar.
O olhar tem quase cheiro que atiça o ronronar, qual gata ou gato faz o peito brilhar.
Acende fagulhas, desmemoria o ruim, o olho atravessa milhas só pra encontrar um lago sereno com bolhas de sabão colorindo o azul do mar.
by Solange Mazzeto
O olho qual câmera anônima registra tudo, guarda e depois na cabana do sonho, se põe a recordar.
E na memória ali... a fotografia da mente vira semente e quer ir logo brotar.
O olhar tem quase cheiro que atiça o ronronar, qual gata ou gato faz o peito brilhar.
Acende fagulhas, desmemoria o ruim, o olho atravessa milhas só pra encontrar um lago sereno com bolhas de sabão colorindo o azul do mar.
by Solange Mazzeto
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