sábado, 14 de novembro de 2009

De Mário Quintana



Os antigos retratos de parede
Não conseguem ficar longo tempo abstratos.
Às vezes os seus olhos te fixam, obstinados
Porque eles nunca se desumanizaram de todo.
Jamais te voltas para trás de repente.
Não, não olhes agora!
O remédio é cantares cantigas loucas e sem fim...
Sem fim e sem sentido.
Dessas que a gente inventava para enganar a
Solidão dos caminhos sem lua.




(do livro "Esconderijos do Tempo -
de Mário Quintana)

imagem by Solange Mazzeto

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Aceito

aceito o vento
que entre as entranhas
seca a lágrima do desejo

aceito dividir o tempo
em dois mil andares
pra chegar [...]

aceito tua palavra
como bálsamo
onde [te] lambo

te aceito
como é
porque?
te amo


texto by Solange Mazzeto

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Alta Voltagem



me olha e me
retorna

rodeia [em mim]
o macho
que existe em
você

gosto de
lagartear
no seu
ombro

gosto de me
esparramar
lentamente em
você

pensa em
mim?
agora...

diz que sim
sei que sim

buracos negros
são só
buracos negros

que não se
aprumam
com mãos no
ventre
pra você


texto by Solange Mazzeto


DESCONHEÇO A AUTORIA DA IMAGEM

domingo, 8 de novembro de 2009

Quase Natal [de novo]





Quase Natal [de novo]

Parece brincadeira, o tempo anda correndo veloz que nem foguete indo pra lua. Dá susto, juro que me dá susto. Não sou tão ‘antiga’ e nem tão ‘menininha’, mas lembro que meus Natais demoravam a chegar, esperava ansiosamente o presente de Natal, onde a Empresa Estrela lançava uma boneca ao ano, e onde o gibi do Tio Patinhas era grandão e eu ficava horas lendo e relendo.

Naquele tempo Panetone era feito uma vez ao ano, ou seja, no Natal e era tão mais gostoso do que hoje, agora você vai às padarias e o ano todo tem panetones...

Está tudo tão modificado, que sinto algo estranho dentro de mim, parece que a magia natalina se mudou pra muito longe, longe demais, faz tempo que as pessoas andam virando ‘plástico’ e plástico ‘jogado’ na natureza causa destruição.

Acho que ainda temos tempo de revertermos isso, sentir de novo a terra nos pés, lembrar que somos natureza, que somos ‘bichos’.

Sabe, sinto algo parecido com medo quando percebo que falta ‘cheirar’ as pessoas, sabe que nem bicho que cheira o outro? Que sente o outro?

Ainda bem que eu tenho ‘esse bicho’ latente em mim, que meu instinto animal ainda prevalece, [embora esteja escrevendo tudo isso pra me fazer lembrar...]

Gosto da minha identidade ‘in natura’, ainda gosto de sair na chuva e molhar o corpo, ainda sinto prazer nas pequenas demonstrações que a vida me oferece.

Arre gente, que nostalgia, o Natal está de novo batendo na janelinha, fazendo sinos tocar, cantando uma musiqueta [quase ao som da lambreta, tô antiga!] querendo nos acordar!


by Solange Mazzeto
imagens: google

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Tua alma é bela

o luto me esconde o sorriso
um negrume disse...
coisas no ouvido

amordaçaram minha boca

ouvi sinos tocando
será imaginação?

me disseram: tua alma é bela


mas me sinto fera
quase estou leoa no cio
querendo matar o prazer que sinto


by Solange Mazzeto

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Tem dor



tem dor que dói tanto
que a gente se sente como cortada em fiapos
se sente um frangalho humano
perdido
com a ponta do nariz vermelha

a dor incomoda e parece coçar

e a dor queima e fica preta
vira cinza
vira nada


texto e imagem by Solange Mazzeto

sábado, 31 de outubro de 2009

Cada dia, cada hora...cada vez



cada dia tem uma função
que me engloba e me embeleza
onde faço do meu sonho
um soneto e uma realidade

cada vez que acordo e me mexo
sinto o poder da Vida

cada hora que posso pensar
e [re] aprender
me animo diante daquilo que [ainda] não sei

cada palavra avessa que ouço
despejo pro limbo
cada palavra que meu ouvido sorri
ao ouvir
coloco um sino
pra poder [re]partir

com
você
...


texto by Solange Mazzeto
desconheço a autoria da imagem