terça-feira, 22 de julho de 2008

Adiante



Ir pra onde ir, cavar o poço e subir, tentar de novo, existir...
A meu ver, fazemos isso centenas de vezes ao dia, ao decorrer de sonhos, que exalam a magia...
O mundo por vezes, é gigante demais, assustado demais, é gente se matando de amar, é gente traficando um cocar...
A natureza progride mesmo apunhalada, ela resiste, a barata não morre, os pernilongos, são cães de morte, o morcego faz um zumbido febril, mas enxerga além do norte...
A calamidade pública interrompe uma vida de poucos anos, desespero, guerra na cidade linda, o mar absorto dá ondas, o sol, apesar de tudo, ilumina, e a cidade revive as custas da paisagem linda de morros e alamedas ornamentas com túneis, onde o velocímetro corre soltando fogo...
Que rumo tomar? Pra onde ir?
Não tem o que sustentar... Talvez a fé... O subir de joelhos a escadaria do Senhor do Bonfim, acender uma vela branca pra paz, uma verde pra saúde, uma rosa pro amor poder entrar nos lares aflitos, como se vive depois da morte de um filho? Me custa o coração pensar, pesar...
Há dias em que me vejo encurralada, onde parece que escrever poemas é insignificante diante de tanta tragédia, mas a tragédia sempre existiu e os poetas sempre estiveram vivos, escrevendo, os atores sempre estiveram atuando, fazendo o povo sorrir diante da própria lida, da labuta, da dor...
Aí, entra de novo, a fé, o sol, a flor a se abrir, então, escuto um canto animado de um pássaro largo, que grita, arrebentando o céu azul que brilha, me sustento na paisagem, como Alberto Caeiro, e amo a vida, não porque sei o que ela é, mas sim porque ela sendo a vida [minha e de tantos outros] amo-a por isso...
Adiante, que isso é vida!

escrito by Solange Mazzeto

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