quinta-feira, 17 de julho de 2008

Ela

E lá estava ela, deitada entre os lençóis, ávida flutuando entre seus cabelos, que não sabia se cortava, pra quem sabe talvez cortar ele da cabeça de vez..., será, ela pensava, se eu cortar o cabelo bem curto, deixo de pensar nele?
Uma agonia quase febril dilatava seus poros, o rosto afogueado, a boca num rito de dor...
A punhalada nas costas lhe doía, o ouvido ouvia ainda a voz dele ressoando, e ela ainda queria saber dele, como estava? Mal? Bem? Contente? Sentiria falta dela?
Perguntas caprichosas, perguntas doentias, diziam as amigas... e ela? Pra ela? Como era?
Ela estava realmente com a alma doente? Acorrentada? Será?
Ela não sabia, mas o tempo lhe diria que a dor permanece na entranha, não teria outro pra dar o que esse cara dava? Ou existiria alguém melhor? Como as amigas apregoavam?
Ela não sabia naquele momento, ela não sabia, ou ela não queria saber mais também, o acervo cerebral estava esgotado, o tempo corroia lembranças, dilacerava o seu pensar, o raciocínio lhe turvava a visão, ela estava na burrice da paixão...



by Solange Mazzeto

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