quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Muito simples




Acordar e sair da cama sem ajuda, levantar as pernas, correr pro banheiro fazer xixi, lavar o rosto com água fresca e limpa, sussurrar um “oi” pra imagem [você] no espelho, escovar bem os dentes que estavam dormindo, massagear a gengiva com os dedos...
Dizer ‘que dia feliz’, abrir os braços pro sol, sorrir mesmo que seja na marra que aí desata o nó e sai a amargura, a tristeza de ‘mais um dia’...
Agradecer por respirar, sem a ajuda de aparelhos, sentir o pulmão pulsar, o sangue brilhar.
Sentir o cheiro do café, do pão na chapa, da manteiga... o barulhinho da colher na xícara, o existir em si
Muito simples. Coisas corriqueiras.
Calçar um agasalho que estava cheiroso no armário, que você ou alguém lavou e guardou...
Sentir os pés nos calçados, o deslizar das meias...
Caminhar por conta própria, sair na rua, ver aquela árvore viçosa, a outra mais raquítica, ver o colorido das flores [a gente esquece de olhar]...
Perceber que você está vivo e que ainda vale a pena um sorriso!



texto by Solange Mazzeto

desconheço a autoria da imagem

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