sexta-feira, 15 de agosto de 2008

O espaço dos braços




Há dias nebulosos, a vida rema mansa, o agasalho não esquenta, a torta sobre a mesa esfria a cabeça, na garganta um nó desmedido, rasga a dor em dois, em mil, o espinho enrosca e é só tristeza... Do que foi, do que não foi, do que virá, do que terá...
Todo dia é desafio. Pro que vem pro que provem.
Atitudes fundamentais, tomar um porre, argumentar, esvaziar a cabeça, sentir-se um balão rodando, rodando...
Um dia qualquer, numa praça qualquer, um tiro, um desaforo, uma mão... A boca que pronuncia, anuncia, pronuncia correta, a mão que vem a boca, correta...
Dias de sol sempre existirão em nós, mesmo que ponhamos óculos escuros permanentes...
O sol penetra, esquenta, dá vida, faz a flor mover no espaço, o espaço dos braços agiganta o espaço da língua, espanta o espaço no coração, inebria a voz que balbucia o novo, esvoaça como brisa leve e varre a agonia, que berrante jorra a cabeleira na clareira e bóia...


texto by Solange Mazzeto
desconheço a autoria da imagem

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