sábado, 11 de julho de 2009

Dia de [muita] chuva




Era uma manhã de sábado com chuva, tinindo lá fora, eu estava só em casa, filha já crescida, em férias e viajando, uns poucos dias, mas era quase estranho e ao mesmo tempo bom estar ao velho gosto de estar só, de ouvir minha própria respiração, de chorar uma lágrima, de suspirar pelo canto da sala, de cantar a música antiga das Frenéticas em frente ao espelho, e gargalhar de mim mesma, comigo mesma...
A chuva incessante não para um segundo, até pra dar comida pra minha cachorra, tive que ir de guarda-chuva, meio correndo, pra não me molhar...

Ia sair, ia ao cinema ver a Era do Gelo 3, ia só, porque gosto de ir só ao cinema, não sempre, mas pra variar eu curto isso, rir só, no meio de tanta gente rindo junto.

Gosto de ver quem chega ao cinema, como chega cada um ao seu estilo e jeito, a maioria com pipocas enormes, os sacos de pipocas estão cada vez maiores e com refil, mas acho as pipocas meio murchas, raramente estão fresquinhas, dia desses estava no interior de São Paulo e lá sim comi pipocas feitas na hora, com bastante molho de pimentas, coloquei tanta pimenta que escorregou pela minha mão, e me lembrei da minha infância... E de minha adolescência, tempo bom pra recordar. Dinheiro escasso por vezes, mas eu tinha uma alegria ímpar, tudo era bom pra mim, o passeio, o lanche, o sapato que só ganhava uma vez ao ano, em dia de Natal...

Melancolia saudosa, tempos esvoaçante de vestidos esvoaçantes, acho que é por isso que até hoje gosto muito de colocar vestidos, a sensação me agrada, restaura sempre algo de bom e prazeroso da minha vida.

Quase agora me vem à mente o gosto do beijo, beijar é bom né! O meu primeiro beijo foi ruim, muito ruim, cheguei em casa, escovando os dentes, a língua, o rosto, achei muito melado, babado, mas depois fui gostando e até hoje gosto muito do sabor do beijo na boca, o roçar da respiração, o estalido de beijinho rápido, o gemer do beijo demorado...
Mas, enfim, estou só num sábado pra lá de chuvoso. Vou acabar saindo de casa, acho que o ‘só’ já está me deixando estranha...





foto e texto by Solange Mazzeto

4 comentários:

Regina Fernandes disse...

Essa chuvinha comprida que nos deixa nostálgicos e melancólicos mas com sabor doce de coisas boas.

Lindo, lindo seu texto!

Bjs
Ótimo domingo

Victor Gil disse...

Oi Sole.
Desta vez, quem não tem mais desculpa sou eu mesmo. Faz tempo que não visito você. Quer dizer, que não falo contigo, porque leio todos os poemas e textos que você escreve. Às vezes faltam-me as palavras para definir todas as coisas que gostaria de dizer sobre aquilo que escreves.
Os seus escritos são doces, sensíveis, alguns com humor, outros com amor, ao mesmo tempo nostálgicos e melancólicos, como diz a nossa amiga comum Regina. Depois revoltam-se contras as coisas, os dias. Até o primeiro beijo não te soube bem, foi ruim. Mas aí aceito, não somos obrigados a gostar da primeira coisa que nos dão, só para parecer bem.
Bem, tudo isto só para te dizer que adoro ler os teus textos e adoro você minha amiga. Ah! Outra coisa. Você está linda na suas novas fotos. Fica sempre bem na fotografia. Deve ser defeito, não?
Um beijão de muita amizade
Victor Gil

Sole disse...

Oi Regina! Gosto de escrever só por escrever, sem 'construir' nada, aí sai coisas assim como esse texto que vc gostou, a vida é feita disso né, de vários momentos, e relembrar dissabores e sabores sempre é gostoso!

um beijo grandão

Sole disse...

Victor! 'Não sou triste e nem sou alegre, sou poeta', Quintana diz isso com a propriedade que lhe cabe e eu uso essa frase, pra poder lhe responder...

Querido, eu floreio a minha vida, adoço minha alma, sempre e sempre... Escritos nada mais são que palavras digitadas em momentos vãos, nem tudo é o que passei, ou senti, gostaria que entendesse isso, mas por outro lado, vc pode sentir como queira, não posso 'mandar' no seu modo de ler e interpretar o que escrevo...

Enfim... citando Quintana, não tente saber pq escrevi q as nuvens são brancas, ok!

abraços

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