quinta-feira, 2 de julho de 2009

Dá-me a tua mão [Clarice Lispector]

Dá-me a tua mão
Clarice LIspector
Dá-me a tua mão:
Vou agora te contar
como entrei no inexpressivo
que sempre foi a minha busca cega e secreta.

De como entrei
naquilo que existe entre o número um e o número dois,
de como vi a linha de mistério e fogo,
e que é linha sub-reptícia.

Entre duas notas de música existe uma nota,
entre dois fatos existe um fato,
entre dois grãos de areia por mais juntos que estejam
existe um intervalo de espaço,
existe um sentir que é entre o sentir
- nos interstícios da matéria primordial
está a linha de mistério e fogo
que é a respiração do mundo,
e a respiração contínua do mundo
é aquilo que ouvimos
e chamamos de silêncio.

4 comentários:

Regina Fernandes disse...

Maravilhosa Clarice! Lindo!
Bjs

Victor Gil disse...

Amiga Sole
Este poema, além de bem concebido e muito interessante, obrigou-me a uma coisa: Investigar quem foi Clarice Lispector e descobri que foi uma escritora e jornalista brasileira. Interessante, como estamos sempre a aprender algo.
Aproveita bem as férias para descansar e escrever.
Beijos
Victor Gil

Sole disse...

Maravilhosa mesmo né Regina, ela sempre ensina! um bjo

Sole disse...

Victor, maravilhsa saber que foi saber mais da Clarice, ela é fabulosa, se puder, leia livros dela tbm, que acho q vc vai gostar!

Tô aproveitando mesmo minhas férias, bjos

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